Aventura

rua

E se o mundo soubesse, por fim, que ela gostava mesmo era de sair, no alto da madrugada, cantarolando pelas ruas em busca de aventuras. Sozinha. O que pensariam? Era esse o motivo do segredo, era com medo de represálias e olhares tortos que tudo era feito com cuidado. Passos estudados. Firmes.

Todas as noites ela sabia exatamente aonde iria, sabia o que alcançaria, a quem chegaria, só tinha medo de que mais alguém soubesse. Mas aquela vida, haa, aquela vida noturna era fascinante, cheia de certezas apesar das curvas e becos escuros. Era como sonhar com algo, sabendo que iria alcançar, mas sem ideia de como seria o caminho. Tinha passos estudados, firmes, mas ninguém sabia o que viria pela próxima esquina ao seu encontro. E caminhava, sozinha, recebendo buzinas vez ou outra de algum carro com pessoas que por necessidade ou não, também resolveram se arriscar. Até que chegava enfim ao seu destino, que lhe arrancava suspiros, lhe deixava ofegante. Haa, que destino!!

Haviam noites que o caminho parecia ainda mais longo, noites frias que congelavam a respiração, em que o vento cortava sua pele e tornava tudo ainda mais assustador (não para ela), mas que valiam a pena. Era disso que ela gostava afinal. Gostava de sair no alto da madrugada cantarolando pelas ruas em busca de aventuras, tendo como meta os destinos mais audaciosos. Esta era ela, mas ninguém sabia. Conheciam apenas a menina sorridente, que guardava sempre um sorriso no rosto, como prova dos mais altos prazeres da madrugada. Mas que ninguém desconfiava.

 

 

 

 

 

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